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domingo, 8 de março de 2009

Chile - As casas de Neruda

Visitar as casas de Neruda é uma experiência única! A emoção aflora ao percebermos como as coisas mais simples podem ganhar um significado especial dependendo de quem te dá, a quem pertenceu ou mesmo por ter feito parte de um momento especial na sua vida.

Cada uma das 03 casas tem sua atmosfera própria, tem seu charme especial.

La Chascona, em Santiago, é toda aconchegante, com espaços pequenos que lembram um barco, separados, mas ao mesmo tempo formando um conjunto único. Ela foi construída para residência de Pablo e Matilde (a La Chascona). Você tem que entrar e se deixar levar por cada canto e cada detalhe da casa. E não se esqueça: coma as frutas do quintal. São deliciosas!
LA CHASCONA: em Santiago - aos pés do Cerro San Cristobal em Bellavista.



Já La Sebastiana, em Valparaíso, tem o charme de reproduzir dentro de uma casa o colorido especial da cidade. Preste atenção às cores, às portas de vidros coloridos, às janelas, à vista maravilhosa, e passeie no quintal.
LA SEBASTIANA: em Valparaiso - uma reprodução de uma cidade dentro de uma casa.

Em Isla Negra, a casa de praia, próxima a Valparaiso, onde estão enterrados os restos mortais de Pablo e Matilde, você vai entender porquê o próprio poeta se chamava de "coisista". São objetos e mais objetos e mais objetos que juntos ganham todo um sentido. Preste atneção no mosaico em cima da lareira: maravilhoso!
ISLA NEGRA: A casa na praia, uma viagem pelas "coisas" de Neruda!

Pablo Neruda

O primeiro contato que tive com Pablo Neruda foi assistindo ao filme "O carteiro e o poeta". Um filme lindo, no qual entendemos o que é a poesia e como o cinema pode ser poético. Mas o filme é do Massimo Troisi, com um dos personagens mais singelos e pungentes do cinema.

Mas no filme "Patch Adams", em um momento importante da história, o personagem título recita uma poesia que é tão maravilhosa que eu quando acabei de ver a cena fui direto para a internet tentar achar tal poema. E descobri Pablo Neruda: o poema é uma das mais belas descrições do que é amar.

Assim, quando comecei a preparar a viagem para o Chile e descobri que suas residências tinham se transformado em museu, decidi que iria conhecer as 03. E é isso que vou mostrar no próximo post. Abaixo o poema que me deixou maravilhado: é do livro "Cem sonetos de amor".

Soneto XVII
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda